Hoje, dia 27/04/2012, Josep Guardiola anunciou sua saída do comando do Barcelona, depois de 4 temporadas que encantaram o mundo. Sou torcedor do Real, mas não reconhecer os méritos dele é burrice. 13 em 17 títulos é uma marca invejável.
Porém, apesar de tudo, vou poupar o discurso de despedida como já fizeram sites de mídia esportiva, e ir a uma outra questão: o que tornou o Barcelona de Guardiola tão devastador? Na minha humilde opinião, foi a combinação de 3 fatores: sorte, boa fase e uma mente sofisticada e dedicada para o futebol. Explicarei em seguida.
Guardiola foi jogador do Barcelona. Cresceu e apareceu no clube, onde jogou durante boa parte de sua carreira. Não tenho lembranças dele como um grande volante, e ouso afirmar que as pessoas só se lembram disso agora por conta do seu sucesso como técnico (voem as pedras!). Sendo assim, Pep sabia por onde ir em relação ao estilo de jogo do clube. Mas ele fez mais: estudou, procurou observar o estilo de diversos técnicos e times, se preparou de fato para assumir a função de técnico. Ele fez mais do que apenas entrar em um curso para técnicos e conseguir a habilitação - correu atrás de se especializar. E "inovou" a partir da imposição da regra de toque rápido do Barcelona, com numerosos passes eficazes e jogo volumoso, onde todo o time atua junto e abre muito espaço para as jogadas. Além disso, foi um treinador com visão suficiente para subir alguns moleques da base para o time principal e conseguir fazer com que desse certo, além das contratações pontuais certeiras. Ai entra a mente sofisticada e dedicada.
À sorte eu atribuo o fato de Pep ter encontrado um time com Iniesta, Xavi e Messi, jogadores diferenciados e que se formaram na base do clube. Perfeito! Posso atribuir à sorte também um pouco do fato de algumas apostas da base terem dado tão certo.
Por fim, acredito que a boa fase dos jogadores foi um ponto essencial para o sucesso de Guardiola no comando do Barcelona. Não adianta apenas ser bom: tem que conseguir manter. Porém, devo dizer que acredito que a visão de jogo e a confiança que o treinador passava aos seus comandados foram essenciais para manutenção da boa fase dessa galera.
Pode ser que eu tenha falado um monte de besteira, mas uma coisa é certa: o futebol mundial ganhou mais um espelho de time. "Espelho", porém, entre aspas mesmo, porque não acredito que esse seja o estilo mais bonito de jogo, nem tampouco o mais encantador. Eu particularmente acho chato o jeito do Barcelona jogar atualmente, embora eu não vá entrar nesse mérito, pelo menos não agora. Mas ninguém pode negar que foi um futebol que ganhou títulos e foi um pesadelo para os rivais (especialmente o Real). Se o Tito não conseguir ser tão bom ou melhor que o Pep, vencer esse time vai perder parte da graça. Mas isso são cenas dos próximos capítulos.
Agora, mais que nunca, estou curioso pra ver que time estabelecerá uma nova hegemonia. E candidatos a esse posto não faltam.
Valeu, Guardiola!
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